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Internet via satélite vai complementar tecnologias de banda larga, diz secretário do MCTIC

publicado: 19/09/2017 18h05 última modificação: 19/09/2017 18h05
Secretário de Telecomunicações, André Borges participou do Painel Telebrasil 2017. Fonte: Ascom/MCTIC

Secretário de Telecomunicações, André Borges participou do Painel Telebrasil 2017. Fonte: Ascom/MCTIC

O governo prepara uma política de telecomunicações para ampliar o acesso à banda larga por meio de fibra óptica e rádio. A ideia é que a internet via satélite complemente as tecnologias disponíveis para levar conectividade às áreas remotas. Segundo o secretário de Telecomunicações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, André Borges, 21,6% dos acessos à internet são feitos por meio da banda larga fixa, enquanto 78% são por banda móvel. Apenas 0,2% dos acessos são por satélite.

“Há uma clara tendência da tecnologia móvel para ser a solução local de acesso e a fixa, que invariavelmente representa uma solução mais robusta e de maior qualidade. A solução satelital, então, é praticamente insignificante e tem um papel muito mais estratégico do que qualquer representatividade. Pouquíssimas pessoas têm acesso a esse tipo de solução”, explicou Borges, que participou nesta terça-feira (19) do Painel Telebrasil 2017.

Segundo ele, a prioridade é levar conectividade a todo país, mas o uso dos satélites para esse fim ainda não é uma realidade. “A tecnologia satelital vai cumprir um novo papel na conectividade, um papel complementar, estratégico e ilimitado, com condições de concorrer com outros serviços de provimento de banda larga. A Internet das Coisas e o 5G não vão acontecer se não tivermos uma conectividade de excelente qualidade, e é para isso que estamos trabalhando.”

O secretário lembrou que 47% dos domicílios rurais não possuem internet por falta de cobertura e 60% pelo custo elevado – o que também dificulta o uso de satélites para ampliar o acesso à internet. “Com a banda C e a banda KU, temos acessos de qualidade limitada e preço absolutamente elevado. Já com a banda K, nos aproximamos de uma faixa mais acessível de preço. No entanto, temos um desafio a cumprir que é a questão de desonerar a carga tributária, para tornar a tecnologia satelital mais competitiva”, afirmou.    

André Borges informou que existem hoje 15 satélites geoestacionários brasileiros em operação, 36 estrangeiros, que podem operar no país, e 11 a serem lançados. Em relação ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), ele destacou a capacidade de 58 Gbps para atender todo o território nacional. A banda X, será de uso exclusivo das Forças Armadas, e a banda Ka, que corresponde a 70% da capacidade do SGDC, será comercializada pela Telebras.

“A Telebras ainda reservou uma parte para programas de governo na área de saúde e educação e, assim que houver uma garantia de recursos que possa remunerar a utilização do satélite, ela será contratada.”

De acordo com o conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Leonardo Euler, que também participou do painel, os satélites contribuem de diversas formas para a infraestrutura de telecomunicações. “Originalmente, devido à cobertura intrínseca a esses sistemas, eles serviram para migração de redes em áreas remotas e nas periferias de centros urbanos, onde não havia uma rede terrestre implantada. Além disso, de longa data, a gente vê que os satélites têm todos meios para distribuição da programação de emissoras de TV, através da banda C, inclusive, que pode captada através das famosas parabólicas. Por fim, as redes corporativas de ensino à distância, que também sempre contaram com essas redes satelitais”, lembrou.       

Para ele, essa nova geração de satélites está revolucionando os conceitos tradicionais de velocidade e capacidade. “Nenhuma empresa de tecnologia ou prestadora poderá, por si só, alcançar todos os objetivos que a Internet das Coisas vem a oferecer sem os satélites. Os satélites vão desempenhar um papel crítico no desenvolvimento do setor para aplicação de IoT. Eu não acredito que serão alcançados os melhores potenciais da Internet das Coisas se a estratégia não estiver associada às possibilidades que são advindas a partir da tecnologia satelital.”

Euler ressaltou que os principais setores beneficiados com o uso de satélites para o desenvolvimento de políticas de IoT são agricultura, transporte, energia, mineração e indústria.

Também participaram do painel o vice-presidente de Políticas Regulatórias de Espectro Global da Inmarsat, Fabio Leite; o gerente nacional da Marlink, Fabio Riccetto, e o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Abrasat), Luíz Otávio Prates.

Fonte: site MCTIC